Sobre o artista
NoArt, o alter ego de Arnaud Lucet (Paris, 1965), é um escultor e artista de instalações francês que, com um toque de ironia e uma ferramenta de soldadura, disseca os lados mais obscuros da nossa sociedade de consumo. Desde que se formou na Madame Street Art School, em 1985, tem vindo a construir uma obra singular na qual o dinheiro, o poder e a falsa segurança são desmantelados em fábulas mecânicas reluzentes.
A sua obra é imediatamente reconhecível: um universo steampunk de conjuntos de metal, válvulas industriais, tubos e engrenagens — muitas vezes recuperados de oficinas abandonadas — que transforma em esculturas luminocinéticas. O néon, as superfícies refletoras e o aço brilhante seduzem o olhar e sugerem luxo, enquanto a estrutura subjacente permanece crua, urbana e quase anárquica. Esta tensão constitui o núcleo da sua linguagem visual: ostentação versus betão, fantasia versus realidade financeira.
Temas como o absurdo dos excessos financeiros, as construções offshore e a ilusão de segurança reaparecem regularmente. Portas de cofres, "Máquinas Offshore" e pseudo-armas não se tornam objectos de poder na obra de NoArt, mas sim relíquias irónicas de um sistema que se leva demasiado a sério. A sua conhecida série ACME, de 2010, com referências lúdicas aos Looney Tunes, utiliza armas caricatas como sátira: o perigo é desmantelado numa piada infantil, como se Peter Pan se tivesse matriculado numa escola de negócios de Wall Street.
Tecnicamente, NoArt trabalha segundo o princípio da assemblage: reutiliza materiais industriais descartados e confere-lhes uma nova narrativa. Cada obra carrega vestígios da sua vida anterior — ferrugem, riscos, uso —, fazendo das suas esculturas não só objetos estéticos, mas também achados arqueológicos da era do hipercapitalismo.
O seu trabalho já foi exibido internacionalmente na Galerie Olivier Waltman, na Opera Gallery e na Villa del Arte Galleries, entre outras, com exposições em Paris, Singapura e Barcelona. Neste contexto, NoArt posiciona-se como um cronista da cidade moderna: irónico, lúdico e tecnicamente refinado. NoArt não cria uma acusação apontando o dedo, mas sim um espelho teatral. A sua obra ri, pisca e brilha — enquanto questiona quem realmente controla os bastidores num mundo movido pelo dinheiro, pelo poder e pela ilusão de controlo.




















































