Sobre o artista
Lee Miller (1907–1977) foi uma fotógrafa, fotojornalista e artista surrealista norte-americana cuja vida e obra atravessaram alguns dos momentos culturais e históricos mais marcantes do século XX. Reconhecida pela sua notável transição de modelo de moda consagrada para pioneira na criação de imagens, construiu uma carreira marcada pela reinvenção, coragem e inovação artística.
Miller começou a sua carreira em frente às câmaras como modelo da Vogue na Nova Iorque dos anos 20, antes de se mudar para Paris, onde se associou intimamente ao círculo surrealista e colaborou com Man Ray. Durante este período, codesenvolveu a técnica de solarização, produzindo imagens oníricas e experimentais que desafiaram a fotografia convencional e a estabeleceram como uma artista de renome.
Na década de 1940, Miller mudou radicalmente de rumo, tornando-se correspondente de guerra da Vogue. Ela documentou a devastação da Segunda Guerra Mundial com uma honestidade implacável, captando a libertação de Paris, os horrores de campos de concentração como o de Dachau e as consequências dos conflitos por toda a Europa. Uma das suas imagens mais icónicas — tirada em Munique — mostra-a na banheira de Adolf Hitler, uma justaposição perturbadora de intimidade e de rutura histórica.
Ao longo da sua vida, a obra de Miller equilibrou a beleza e a brutalidade, a intimidade e o distanciamento. Seja em composições surreais ou em imagens de guerra impactantes, manteve uma linguagem visual singular, fundamentada na curiosidade, na resiliência e na recusa em desviar o olhar. Hoje, é reconhecida não só como uma figura fundamental do Surrealismo, mas também como uma das mais importantes correspondentes de guerra e fotógrafas do século XX.















































